Thordezilhas: Entrevista com William Drake do Jabuti Caolho

Salve Amigos! Enquanto aguardamos o financiamento coletivo de Thordezilhas Rum & Sangue aproveitamos para fazer uma rápida entrevista com o personagem principal do livro, Willian Drake, o Proprietário do Jabuti Caolho.
Lembrando que o texto abaixo NÃO foi extraído de Thordezilhas Rum & Sangue. Serve para dar algumas pistas das tramas que se deslindam no porvir.

O financiamento coletivo de Thordezilhas Rum & Sangue começa em Abril no Catarse.  Saiba mais sobre o cenário no grupo do Thordezilhas no Facebook.

Entrevista com Willian Drake.
Por Tessa Scully
Conversar com Drake é quase tão sinuoso quando vasculhar os corredores do seu imenso boteco. Suas palavras labirínticas escondem a verdade como um dragão protege seu tesouro. Trata-se de um homem bem-apessoado e perigosamente eloquente, capaz de falar com todo tipo de pessoa, do nobre sofisticado ao mais rustico lobo do mar, sendo amado e temido em igual proporção.
Nossa conversa aconteceu no terraço do imenso edifício onde se estabelece o Jabuti Caolho; um dos lugares mais perigoso do mundo civilizado, se pudermos reconhecer alguma civilidade nos piratas.

Tessa Scully: Saudações, senhor Drake! Obrigado por nos permitir esta entrevista. Seu Boteco do Jabuti Caolho é um fenômeno tão magnifico quanto preocupante e se torna importante esclarecer certos pontos.
WD: Estou sempre pronto para falar sobre meu bar. (Ele se serve de um tipo de cerveja de coloração azul)

TS: Fale um pouco sobre o seu passado. Onde o senhor nasceu? O que fazia para ganhar a vida? Como teve a ideia de construir o Jabuti?
WD: Falar sobre o passado é coisa de velho (ele faz uma pausa para dar sua primeira golada na bebida). Importa que nasci em família nobre de Nova Camelot.

TS: Soubemos que o senhor tem certa inimizade com seu irmão Wagner Drake, o ditador de Tortuga. Isso procede?
WD: O que eu poderia disser? Wagner é meu irmão. Você deve conhecer o ditado: “Família é o estranho que conhece tudo sobre você”. Não se pode confiar neles. Laços de sangue não sustentam alianças. Quando o douro do ouro brilhar, farão qualquer coisa para ter o teu quinhão, mesmo que derramem sangue de parente. Isso serve para todos: piratas ou letrados. A riqueza não faz distinção, a todos ela seduz. E o ouro vale mais que sangue.

TS: o senhor não explicou muita coisa.
WD: (seu semblante fica soturno enquanto toma uma dose de cerveja anil) eu expliquei tudo que importa sobre Wagner Drake. E, se você tem um irmão ou primo, então sabe do que estou falando.

TS: Fale um pouco sobre o Jabuti Caolho.
WD: a senhorita já deve ter notado o tamanho colossal do Jabuti, capaz de acomodar inúmeros bares em seu ventre. Criei aqui um verdadeiro templo para quem busca rum, diversão e aventura.

TS: com certeza se trata de um prédio de proporções magnificas, incomum a este lado do Oceano. Poderia dizer quem o construiu o Jabuti?
WD: Eu não sei (Drake sorri dentro do copo). Já estava aqui quando cheguei. Eu apenas o ocupei e mudei alguns detalhes.

TS: “Uma dungeon em forma de boteco” é o termo que as pessoas utilizam para o seu negócio. O Jabuti Caolho possui corredores que não levam a lugar algum e câmaras secretas com segredos que causam a morte. O Que tens a disser sobre isso?
WD: direi que prédios antigos tem seus fantasmas.

TS: Fui informada que seu bar é infestado por monstros.
WD: Uns dois ou três, talvez. (ele sorri) Nada de especial!

TS: Senhor, soube que na semana passada um ettercap saiu da jaula e devorou 10 pessoas.
WD: É foi sim! Uma bela luta, eu diria! Mas só morreram nove pessoas e o bicho estava bêbado.

TS: Um dos seus clientes explicou que seu bar possui criaturas jamais vistas em lugar algum do mundo. Um deles foi definido como um predador sexual.
WD: Ora, senhorita. (ele sorri) Não somos todos, de um jeito ou outro, predadores sexuais? Temos sede de prazer, sempre em busca de mais, mesmo que ele nos afogue? É a natureza mortal, minha cara, não tem como evitar.

TS: O que é o Aquário da Morte?
WD: temos um ditado no Jabuti: “Só conhece o Aquário da Morte quem duelou na loucura.” Você precisa entrar nele para saber sobre ele.

TS: Não pode nem dar uma pista?
Drake apenas sorri.

TS: Seu boteco é envolvido com toda sorte de atividades criminosas: conspirações, contrabando, pirataria, furto, prostituição, venda de ópio, chantagem, trafico de bebidas proibidas, especiarias roubadas, artefatos místicos amaldiçoados, sequestros, crime organizado, escravidão, assassinato, regicídio, tortura, criação de monstros em cativeiro – incluindo aqui o encarceramento de um tipo desconhecido de demônio -, amotinação popular, alquimia não licenciada, genocídios, colonizações não autorizadas, misticismo, profanação, sacrifícios humanos e até vandalismo.
WD: Que lista! ( ele brinda com a caneca de cerveja azul) Milady nos descreveu! Estou admirado! Só me permita fazer uma correção. Não nos confunda com os orelhudos de Castelha ou os porcos de Lusitan: nós não escravizamos ninguém e nem atendemos navios escravistas. Assim como vocês de Marselha, estamos envolvidos com o “crime” do abolicionismo – pode colocar isso na lista. Não se lucra com quem não recebe.

TS: Senhor, pessoas morrem aqui.
WD: moça, somos gente do mar. A catástrofe é nosso emprego. O infortúnio enche de ouro nossas aljavas. O perigo dorme em nossos lençóis. Talvez o local seja um pouco estranho para ti, mas os marujos fazem do risco sua diversão.

TS: E sobre Redonda? Poderia falar um pouco sobre este lugar.
WD: Redonda é uma ilha cheia de problemas. E eu não digo dos problemas enfadonhos de Alexandria, como o rei frouxo de Nova Camelot ou as favelas de Versalhes. Falo de problemas grave. E o Jabuti Caolho veio para ajudar.

TS:E o senhor acha que um boteco infestado de piratas pode realmente auxiliar a ilha?
WB: acho que a dama não tem noção do que acontece aqui. Calheta é a única nação civilizada da ilha e eles foram abandonados pelos sofisticados reinos Alexandrinos. Sozinhos, em uma ilha anormalmente cheia de mistérios, monstros e perigos ancestrais.

TS: Não foi o que os calhetas afirmaram. Segundo eles, o senhor é o pior perigo da ilha.
WD: (Ele gargalha). Alguns dos monstros de Redonda jamais foram vistos em qualquer canto do planeta. A ilha abriga um farol misterioso governado por um balor e uma tribo de halflings canibais. Consegue imaginar isso? Em qualquer lugar do mundo os halflings são bichinhos bonitinhos que não servem para nada, aqui eles fazem ensopado com sua carne. E eu nem terminei de citar os problemas. Fico realmente lisonjeado em ser considerado o pior perigo deste lugar.

TS: Soube que o senhor explora as masmorras de Redonda. Está em busca de algum segredo arqueológico?
WD: nada especial! (Ele sorri balançando a mão) O que todo pirata sempre busca: tesouro, rum e diversão.

TS: Fico pensando, soube que recebe inúmeros carregamentos de livros profanos, artefatos proibidos e misteriosos baús que o senhor mantém protegido em seu porão. Não acha estranho que um pirata precise de tanto ocultismo apenas para encontrar tesouros?
WD: Você deve lembrar daquela frase iluminista: “Conhecimento gera poder”. (Ele termina sua garrafa de cerveja anil) Então, adoraria continuar conversando, mas tenho que organizar os duelos desta noite. ( Drake dispara um belo sorriso em minha direção e, por algum motivo, sinto meu corpo estremecer).

Nota da Enciclopédia Celso
Temos profundo pesar em relatar que a elfa iluminista Tessa Scully, da província de Montpellier, faleceu horas depois da entrevista em um terrível naufrágio enquanto retornava para Marselha. Todo o seu conhecimento e textos acabaram sepultados no seio do oceano Tenebroso. Por sorte, nossa precavida enciclopedista manteve uma cópia da entrevista com Luiz, seu fiel criado, que preservou o manuscrito até ser publicado neste livro.
As Sociedade Enciclopedistas lamentam a perda da família e dos alunos de Tessa. Hoje o mundo fica um pouco mais ignorante. Descanse em paz, minha amiga.

 

Por Luiz Claudio Gonçalves

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